Habitava a gleba da Monlevade de trintanos atrás um menino pobre, tremendamente do apá virado, mas com boa dose de inteligência e saúde de boi. Certo espiritodeporquismo levava-o a diabruras que qualquer psiquiatra moderno classificaria como encantadoras, embora para a encalistrada gente grande de então não passassem de enorme falta de couro, se bem que, quando não ganhava uma sova por dia...ganhava duas...e até mais...e ainda tinha que ouvir o inevitável "perdidas as caíram no chão".
Ele cresceu. Tomou juízo (sei lá). Mas cismou de escrever, teimoso que é. E está, agora, mostrando o seu livrinho que é uma prova de que, realmente, "perdidas foram as que caíram no chão", e o culpado é o grande Guimarães Rosa, que valorizou o idioleto e nos ensinou a todos como valorizar o mundo estático do homem simples, a inocência que há na safadagem do dia-a-dia e que, para se construir uma obra literária - pretensão à parte!- basta relatar o quotidiano, como o fizeram também Mário Palmério e João Cândido de Carvalho, ambos urbi-interiorizando o grande sertão do escritor mineiro.
O importante é que seja ressaltado o linguajar do meu povo local e regional, e da nossa gente antiga que vive até hoje e mais e melhor do que nós.
Qualquer coincidência com casos locais, pessoas vivas ou desaparecidas, é coincidência mesmo.
E, para provar que ele não é tão ruinzinho assim, pergunte ao jornal Vale do Aço que o publicou, em pedaços, durante quase dois aos, aquem dirijo o meu agradecimento.
Nesta Monlevade, neste junho, neste 80,
Heleno.
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